Vitória democrata nas midterms pode abrir espaço para reequilíbrio entre Brasil e EUA, diz Planalto
Apoiadores do governo e diplomatas afirmam que a maioria democrata no Congresso dos EUA pode limitar políticas tarifárias e forçar maior cautela na política externa americana.
Integrantes do governo Lula avaliam que a vitória democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos cria oportunidade para um reequilíbrio de forças entre Brasília e Washington. Auxiliares do presidente e diplomatas consideram que Donald Trump terá dificuldade em manter a política de tarifas e a chamada Doutrina Donroe, que trata o hemisfério ocidental como zona de interesse americano, incluindo a América Latina.
O Brasil não deve se manifestar oficialmente sobre o pleito. Fontes do Planalto lembram que não é praxe da diplomacia brasileira emitir notas sobre eleições estrangeiras e que o governo prefere uma postura pragmática para não agravar a crise diplomática com os Estados Unidos, que já dura mais de um ano; nos bastidores, contudo, o resultado foi recebido com entusiasmo.
A avaliação interna é que uma maioria democrata no Congresso pode abrir frentes de investigação sobre os dois primeiros anos do governo Trump e obrigar a Casa Branca a adotar uma postura mais cautelosa na política externa e nas tarifas. Um integrante do governo que acompanha as negociações com o Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirmou que técnicos do órgão já resistiam a tarifas “intempestivas e autoritárias” e que, com maior risco de investigação, a burocracia deve se opor ainda mais a essa agenda.
Os analistas do governo destacam, porém, que o efeito não é automático. Política externa continua sendo atribuição do Executivo, e o presidente mantém poder de veto; uma maioria democrata no Congresso não derruba uma tarifa por si só, mas aumenta o custo político de mantê-la e amplia o número de atores a serem convencidos.
Há outras frentes que podem avançar com a nova composição do Congresso. Parlamentares democratas eleitos defenderam investigações sobre operações na América Latina, como as ações na Venezuela que terminaram na captura de Nicolás Maduro; cresceu também a coalizão a favor da regulação das big techs, tema de interesse do governo brasileiro, que enfrentou resistência no Congresso ao tentar regular plataformas.
No campo político interno, auxiliares de Lula comparam o resultado americano à eleição brasileira de outubro. “Foi um 7 a 1. Os piores cenários para Trump se confirmaram”, disse um diplomata brasileiro; a avaliação é de que Lula sai fortalecido pela reeleição e que Trump fica mais enfraquecido para os dois últimos anos de mandato.
O que deve ser observado a partir de janeiro são a abertura das investigações, a composição das comissões, a posição do USTR sobre tarifas ao Brasil e os avanços na regulamentação das plataformas. Por enquanto, o ganho brasileiro é sobretudo de tempo e de aumento do custo político para o governo americano, não um resultado definitivo.
Com informações de Blog do Esmael.
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