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Política

Tarcísio de Freitas admite disputar Presidência em 2030 e se coloca como alternativa no campo da direita

Em entrevista publicada em 29 de outubro, o governador de São Paulo disse que concluir bem o segundo mandato abre possibilidade de candidatura e criticou a política econômica federal.

29/10/2026 às 15h57 593 leituras
Tarcísio de Freitas admite disputar Presidência em 2030 e se coloca como alternativa no campo da direita
Foto: Blog do Esmael

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou pela primeira vez que pode concorrer à Presidência da República em 2030. Em entrevista publicada nesta quinta-feira, 29 de outubro, ele disse que terminar bem o segundo mandato “obviamente abre uma possibilidade”.

A declaração ocorreu dias após Flávio Bolsonaro (PL) ser derrotado no segundo turno e deixar o país rumo aos Estados Unidos. O gesto de Tarcísio, ao reconhecer o resultado das eleições, passou a ser lido no meio político como sinal de disposição para disputar a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Sobre a decisão, Tarcísio afirmou: “Terminando bem o 2º mandato, obviamente abre uma possibilidade. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho”. Ele acrescentou que leva “a questão espiritual” em suas deliberações, citando a “vontade do Senhor” como elemento em seus projetos.

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A fala tem impacto imediato na reorganização do espectro de direita. Com Flávio isolado, o PL dividido entre a bancada radical e a cúpula que reconheceu a vitória de Lula, e Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, o governador paulista surge como alternativa com mandato, estrutura administrativa e discurso fiscal.

Tarcísio também criticou a gestão federal na área econômica, apontando incoerência fiscal e risco de recessão. Avaliou que o Banco Central tenta “tirar a água do barco” com juros altos enquanto, na sua visão, o governo federal “coloca água no barco gastando demais”.

Ele afirmou que a taxa de juros está “beirando os 15%, 13,75%, podendo aumentar” e projetou a relação dívida/PIB entre 120% e 130%. Defendeu uma “reforma total do orçamento”, com desvinculação de receitas, e afirmou que o orçamento discricionário já representa apenas 5% do total.

Sobre a proposta de desvincular aposentadorias do reajuste do salário mínimo, Tarcísio afirmou que “é uma coisa para ser estudada”. A medida atinge diretamente aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), cujo ganho real ficou vinculado ao mínimo.

O discurso de Tarcísio articula uma frente política, na qual ele se apresenta como herdeiro de um campo que perdeu liderança após a saída de Flávio, e outra econômica, com agenda de ajuste que o governo Lula rejeita e que o mercado pressiona. Há, porém, limites ao projeto: ele tem mandato até 2030, precisa entregar obras e não controla o PL, partido que reúne figuras como Valdemar Costa Neto, Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro.

Além disso, outros nomes da direita também são cotados, entre eles Ratinho Junior (PSD), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). A entrevista foi divulgada no mesmo dia em que Valdemar Costa Neto reprovou a carta de Flávio, sinalizando que a reorganização do bolsonarismo envolve disputa entre o PL, governadores e a bancada radical.

Com informações de Blog do Esmael.

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