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Política

Saída de Flávio Bolsonaro para os EUA acelera apoio militar a Tarcísio de Freitas

Relatos publicados pela Folha indicam que a partida de Flávio após a derrota nas urnas reforçou a preferência de parte das Forças Armadas pelo governador de São Paulo.

02/11/2026 às 18h31 52 leituras
Saída de Flávio Bolsonaro para os EUA acelera apoio militar a Tarcísio de Freitas
Foto: Blog do Esmael

Relatos publicados pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (2), com base em entrevistas de oficiais do Exército, da Marinha e da Aeronáutica sob anonimato, apontam que a saída de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos depois da derrota na eleição presidencial acelerou um movimento dentro das Forças Armadas em favor do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Fontes ouvidas pela reportagem qualificaram a saída do país sem reconhecer a derrota nem prestar contas aos eleitores como um "abandono de tropa". Um oficial-general que atuou no Congresso e em diferentes governos disse que o gesto equivale ao de um comandante que abandona sua tropa, atitude considerada imperdoável por militares.

Outro oficial afirmou que a indignação não seria política, mas ligada a valores como caráter, honra e lealdade. Um ex-comandante de Força sintetizou o sentimento com a frase: "Menos Janja, mais Alckmin. Menos Bolsonaro, mais Tarcísio".

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Oficiais destacam que Tarcísio reúne perfil conservador e experiência administrativa. Capitão da reserva do Exército, ele é formado pela Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) e pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e atuou em uma companhia de engenharia na Minustah, a missão de paz da ONU no Haiti.

Os entrevistados observaram ainda que Tarcísio deixou a farda por concurso público, enquanto Jair Bolsonaro, segundo esses oficiais, "saiu pela porta dos fundos". O governador já figurava entre os nomes preferidos pelos militares para uma eventual candidatura presidencial.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Tarcísio disse que considera tentar o Palácio do Planalto ao fim do novo mandato, em 2030. Na mesma conversa, elogiou o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, reconhecido na caserna pelo trabalho de pacificação das relações civis-militares.

A avaliação entre os entrevistados é que, além do alinhamento ideológico com os valores conservadores da chamada "família militar", Tarcísio possui experiência de gestão — tendo comandado o estado mais rico e populoso do país — necessária para uma candidatura presidencial.

O antipetismo continua a influenciar parte da caserna. As fontes relatam que integrantes das Forças Armadas votaram em peso em Flávio Bolsonaro no segundo turno, assim como haviam votado em Jair Bolsonaro em 2022, mesmo quando alguns oficiais reconhecem que os dois primeiros mandatos de Lula foram o melhor momento orçamentário recente para as Forças.

Segundo a Folha, o número de militares e policiais de forças de segurança eleitos em 2026 cresceu e retomou o nível recorde observado no governo Bolsonaro, o que reforça a continuidade da militarização da política, apesar de tentativas dos comandos atuais de coibir manifestações políticas de militares da ativa.

A reportagem também aponta insatisfação com o Supremo Tribunal Federal (STF): dos 29 condenados na trama golpista, 21 são militares. Entre as queixas estão a narrativa de que o episódio de 8 de janeiro teria sido uma "baderna" e críticas à dosimetria das penas, considerada excessiva por alguns oficiais que, ainda assim, defendem punição aos colegas envolvidos.

Segundo as fontes, Tarcísio evita confrontar publicamente seus padrinhos políticos, e a expectativa entre militares é de que um rompimento se dê no próximo ciclo eleitoral; avalia-se que os radicais da "família militar" permanecerão com os Bolsonaros, enquanto a maioria tende a migrar para o governador caso a cisão se confirme.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que exige que militares da ativa passem para a reserva ao registrarem candidatura continua parada no Congresso Nacional e enfrenta forte resistência na caserna.

Com informações de Blog do Esmael.

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