Registros argentinos mostram três entradas de Flávio Bolsonaro em 34 minutos e presença de ex-oficial israelense
Documentos de imigração da Argentina indicam múltiplos registros da passagem do senador em 27 de outubro e a participação de um israelense apontado como ex-agente de inteligência.
Documentos do sistema de imigração da Argentina registram três entradas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na noite de 27 de outubro, em intervalo de 34 minutos, com documentos diferentes, e apontam a presença do israelense Menachem Booky Halevy na comitiva. Os dados foram obtidos pelo programa Fantástico, da TV Globo, com cooperação internacional, e divulgados em 1º de novembro.
O primeiro registro ocorreu às 22h37 com passaporte italiano; às 22h40 houve novo registro com dados de carteira de motorista; e às 23h11 o sistema mostrou entrada com o passaporte brasileiro. Dois dos registros com documentos brasileiros foram posteriormente cancelados, permanecendo válido apenas o ingresso com o passaporte italiano.
Uma segunda van cruzou o controle cerca de sete minutos antes da primeira e levava o advogado Roberto Jorge Alexandre e Menachem Booky Halevy, apontado como ex-oficial de serviço de inteligência israelense. Segundo a reportagem, Halevy entrou no Brasil em 19 de outubro por Guarulhos e havia outras três passagens pelo país no ano.
No aeroporto de Puerto Iguazú, um jornalista argentino presente no local, Nicolás Munafó, do canal C5N, descreveu a escolta: uma caminhonete da Polícia de Segurança Aeroportuária à frente, seguida por duas caminhonetes brasileiras e duas argentinas, uma delas com placa diplomática. Essas imagens e registros levaram autoridades a questionar se a saída foi realmente improvisada ou se houve operação planejada com apoio logístico na Argentina.
A Justiça argentina determinou a preservação das imagens das câmeras de segurança da fronteira e do aeroporto de Puerto Iguazú. A deputada Marcela Pagano cobrou explicações do governo de Javier Milei e afirmou: "Há irregularidade na passagem pelo controle de imigração argentino, a escolta de policiais e, depois, o transporte em carros diplomáticos do Ministério das Relações Exteriores da Argentina"; o secretário de Comunicação da Presidência argentina, Fabian Fernandez, declarou que "o governo não tinha nada a declarar".
A principal linha de investigação aponta que Flávio Bolsonaro chegou a Puerto Iguazú de avião vindo de Buenos Aires e teria permanecido por horas dentro da aeronave na pista até a chegada da esposa, Fernanda, e das duas filhas, que teriam partido de Brasília em outro avião com destino a Cascavel e seguido de van até a fronteira.
Relatos indicam que o senador deixou Brasília às 5h05 de 27 de outubro em um jato Cessna Citation Excel ligado ao advogado Willer Tomaz, com pouso às 8h40 em San Fernando, na região de Buenos Aires; a assessoria do advogado negou que aeronaves dele ou de empresas da família tenham sido usadas. A continuação da viagem aos Estados Unidos ocorreu em um jato Gulfstream G400 operado pela companhia argentina Baires Fly, cuja negociação, segundo o dono Luis Grande, custou 150 mil dólares (cerca de 800 mil reais) e foi paga por um intermediário baseado nos Estados Unidos.
Houve escala em Guayaquil, no Equador, e desembarque na manhã de 28 de outubro no aeroporto executivo de Opa-Locka, na Flórida. A imprensa americana citou que o assessor de Donald Trump, Jason Miller, teria providenciado a viagem; o jornal argentino Clarín publicou que agentes americanos assumiram o controle de parte do aeroporto de Puerto Iguazú, informação que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou ao descartar participação do governo americano.
A Polícia Federal investiga a rota e procura identificar todos os envolvidos, incluindo quem financiou a logística e se houve participação de agentes públicos estrangeiros; relatos dizem que a operação recebeu o nome de Alba e teria sido planejada antes do segundo turno da eleição presidencial. Flávio Bolsonaro deixou o país após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que ordenou a entrega dos passaportes e proibiu a saída do senador do território nacional; a PF afirma não ter encontrado registro de saída pelos postos oficiais de controle migratório brasileiros.
No Paraná, a passagem pela fronteira e pelo aeroporto de Cascavel já provocou reação política: o PT-PR protocolou pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para apurar se autoridades estaduais e municipais ajudaram ou se omitiram. O episódio gerou repercussão em todo o estado, inclusive em municípios da região da AMSULPAR e da AMCG, que acompanham a apuração judicial e policial.
Com informações de Blog do Esmael.
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