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Economia

Quase 90% de conteúdos virais sobre saúde são falsos, diz Agência Lupa

Primeira agência a trabalhar com checagem de informações no Brasil, a Lupa acaba de lançar um relatório que aponta que 87,3% de conteúdos virais sobre saúde, analisados entre março de 2017 e junho deste ano, eram falsos.

21/10/2026 às 06h39 16 leituras
Quase 90% de conteúdos virais sobre saúde são falsos, diz Agência Lupa
Foto: Agência Brasil

Primeira agência a trabalhar com checagem de informações no Brasil, a Lupa acaba de lançar um relatório que aponta que 87,3% de conteúdos virais sobre saúde, analisados entre março de 2017 e junho deste ano, eram falsos. O quantitativo faz parte de uma amostra de 764 materiais checados pela entidade, dos quais 667 foram considerados inverídicos. A publicação Raio-X da Desinformação em Saúde traz os detalhes do levantamento e contou com o apoio da Afya, um dos maiores grupos de ensino médico do país.

Em média, segundo o relatório da Agência Lupa, foram quase 72 falsidades virais em saúde por ano, ou seis casos por mês. Conteúdo viral é aquele que se espalha rapidamente pela internet e alcança um grande número de pessoas em pouco tempo, gerando alto engajamento, com muitas visualizações, curtidas e compartilhamentos em alta velocidade.

O volume explodiu na pandemia: em 2020 e 2021, a Lupa checou cerca de dez vezes mais conteúdos sobre saúde do que nos três anos anteriores. Foram 452 conteúdos virais. Essas mentiras se espalharam rapidamente a partir de estratégias como falsas autoridades divulgando promessas de cura e soluções simples para problemas complexos. Apesar disso, segundo a Lupa, esse padrão já era verificado antes do surgimento da covid-19, mas passou a aparecer em quantidade muito maior.

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"Um dos maiores desafios da desinformação em saúde é que ela se apropria da linguagem e da autoridade de médicos, pesquisadores e instituições para parecer legítima", afirma a fundadora da Agência Lupa, Cristina Tardáguila.

Essa técnica da falsa autoridade médica ou científica correspondeu a 21,6% dos casos de desinformação em saúde mapeados pela Lupa. Em seguida, o medo e a linguagem alarmista aparecem por trás de 17% das publicações falsas. Distorção de estudos e dados (15,7%) e soluções simples para problemas complexos (12,6%) completam as estratégias mais utilizadas na disseminação de conteúdos falsos em saúde.

“Hoje, o profissional de saúde precisa estar preparado não apenas para diagnosticar e tratar, mas também para ajudar o paciente a navegar em um ambiente de excesso de informações, muitas delas sem respaldo científico”, afirma o vice-presidente Médico e de Relações Institucionais da Afya, Gustavo Meirelles.

Ao longo dos últimos nove anos, os temas mais recorrentes nas checagens da Lupa sobre saúde foram covid-19 (61%), tratamentos, cura e prevenção (34%) e alimentos, bebidas e nutrição (24%).

Desinformação sobre vacina continua

Antes da pandemia de covid-19, conteúdos sobre vacinas correspondiam a 9,1% das checagens de saúde da Lupa. A proporção chegou a 33,2% durante a emergência nacional e a 38,9% entre 2022 e 2024. No período mais recente, entre 2025 e junho de 2026, esse volume recuou para 20%, mas segue sendo mais que o dobro do patamar pré-pandemia. Das 244 alegações sobre vacinas analisadas no período completo, 212 (86,9%) foram classificadas como falsas pela agência após checagem.

Ao menos 142 conteúdos analisados pela Lupa registravam a presença de figuras públicas, entre elas Jair Bolsonaro, Bill Gates, Drauzio Varella, João Doria e Luiz Inácio Lula da Silva. A presença dessas personalidades, segundo a agência, não significa que tenham produzido ou endossado a alegação, e indica que terceiros também se utilizam da reputação de pessoas conhecidas para espalhar desinformação.

Canais de circulação

O WhatsApp foi a plataforma mais frequentemente associada à circulação de desinformação em saúde nas verificações da Agência Lupa. Mais de 70% das 498 checagens analisadas entre março de 2017 e junho 2026 partiram de conteúdos que circularam ou foram encontrados no aplicativo de mensagens instantâneas mais usado no país. O Facebook aparece em segundo lugar, com 126 registros (25,3%), seguido do Instagram, com 35 (7%).

A pesquisa ressalva, porém, que os dados não permitem afirmar que o WhatsApp seja a origem dessas falsidades ou que concentre a maior parte da desinformação em saúde publicada na internet. A Lupa recebe pedidos de verificação por meio de um canal próprio no aplicativo, o que pode favorecer a identificação de conteúdos que circulam mais por ali. Além disso, uma mesma publicação pode passar por diferentes plataformas antes de chegar ao público.

Fonte: Agência Brasil.

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