PT-PR publica provocação a Deltan Dallagnol enquanto TSE mantém julgamento sobre registro
Post do PT no Paraná diz 'Deltan, vc é o próximo...' e o caso segue sub judice no TSE; decisão pode mudar a segunda vaga do estado.
O perfil do PT do Paraná no Instagram publicou nesta segunda-feira, 26 de outubro, uma provocação direcionada ao senador eleito Deltan Dallagnol (Novo), um dia após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A peça traz as frases "Deltan, vc é o próximo..." e "Deltan, you’re next"; a legenda abre com "PESSOAL, URGENTE...", bordão associado ao deputado André Janones, chamado por Lula de "nosso general" no discurso de vitória.
Deltan foi o segundo candidato mais votado ao Senado pelo Paraná, com 2.904.594 votos (25,14% dos válidos), mas seu registro permanece sub judice no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O julgamento pode resultar na perda do mandato do senador eleito, na transferência da vaga ao terceiro colocado ou na convocação de eleição suplementar.
A controvérsia remonta a uma decisão do TSE em 2023, que cassou o mandato de deputado federal de Deltan e reconheceu a aplicação da inelegibilidade de oito anos prevista na Lei da Ficha Limpa, alínea "q" do artigo 1º da Lei Complementar 64/1990. O entendimento considerou que ele pediu exoneração do Ministério Público Federal enquanto respondia a processos disciplinares, segundo apuração do Blog do Esmael.
A defesa sustenta que os processos disciplinares foram arquivados pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e alega que isso impediria a aplicação da Ficha Limpa ao caso. A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) acompanhou essa linha e, em 7 de outubro, opinou pela manutenção da decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) que havia deferido o registro.
O processo percorreu o calendário eleitoral sem solução. Em 8 de setembro o TRE-PR deferiu o registro de Deltan por 4 votos a 3; em 11 de setembro a Federação Brasil da Esperança e a Coligação Paraná Para Todos recorreram ao TSE. Em 19 de setembro o ministro Floriano de Azevedo Marques suspendeu atos de campanha; em 3 de outubro ele indeferiu monocraticamente o registro e determinou que os votos fossem tratados como nulos, mas em 4 de outubro o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, restabeleceu o registro como "deferido com recurso".
Nos dias 6 e 7 de outubro a defesa recorreu e a PGE opinou pela elegibilidade. Em 8 de outubro o caso entrou na pauta do plenário do TSE e não foi concluído; em 12 e 13 de outubro as autoras da impugnação pediram a anulação dos 2.904.594 votos e a proclamação de Alexandre Curi (Republicanos) como segundo colocado. Em 14 de outubro a OAB-PR cobrou celeridade e alertou para prejuízo institucional ao estado.
A disputa concentra-se na segunda cadeira do Paraná: Filipe Barros (PL) foi o mais votado, com 3.148.583 votos (27,25%), e não é atingido pela controvérsia. Deltan ficou em segundo com 2.904.594 votos, e Alexandre Curi terminou em terceiro com 1.947.135 votos (16,85%), diferença de 957.459 votos entre Dallagnol e Curi.
Se o TSE confirmar o indeferimento, as impugnantes pedem a anulação dos votos e a retotalização, o que levaria Curi à segunda vaga. As autoras rejeitam a hipótese de nova eleição, alegando que Deltan recebeu menos de 50% dos votos válidos. Caso o tribunal entenda pela nulidade da eleição, seria necessária uma eleição suplementar no Paraná, estimada pela coligação impugnante em cerca de R$ 50 milhões, segundo o Blog do Esmael.
A diplomação dos eleitos está prevista até 18 de dezembro, e a posse no Senado está marcada para a primeira semana de fevereiro de 2027. O TSE ainda não marcou data para julgar o processo, e a expectativa, segundo apuração do Blog do Esmael, é que o plenário aprecie o caso entre o fim de outubro e dezembro.
Se a segunda vaga for reaberta, circulam nomes como Ratinho Junior, Alexandre Curi, Rafael Greca, Rosângela Moro, Jeffrey Chiquini, Requião Filho, Enio Verri e Alvaro Dias, entre outros. Nenhum desses nomes anunciou candidatura; a lista indica possibilidades de articulação política, não candidaturas confirmadas. A indefinição pode alterar a correlação de forças do Senado de 2027 e a distribuição de comissões.
Deltan já afirmou publicamente que o PT tentou retirá-lo da disputa antes do voto; em abril reagiu à divulgação de uma certidão do TSE dizendo que o partido estava em "pânico". O episódio político ganhou repercussão após Dallagnol comparecer a debate na Band com uma camiseta afirmando que foi quem "prendeu Lula", e o presidente reeleito o chamou de "picareta".
O Blog do Esmael acompanha o processo 0601276-56.2026.6.16.0000 desde antes do primeiro turno, documentando decisões monocráticas, liminares e pedidos de retotalização. O desfecho no TSE definirá quem ocupará a segunda cadeira do Paraná e terá repercussão nas bases locais, incluindo municípios das regiões da AMSULPAR e AMCG.
Com informações de Blog do Esmael.
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