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Política

PF indiciou Vorcaro e ex-dirigentes por gestão fraudulenta; prejuízo reconhecido é de R$ 2,7 bi

Relatório entregue ao STF e à PGR aponta organização criminosa e lavagem de dinheiro e pede 60 dias a mais para conclusão de perícias.

29/10/2026 às 14h16 42 leituras
PF indiciou Vorcaro e ex-dirigentes por gestão fraudulenta; prejuízo reconhecido é de R$ 2,7 bi
Foto: Blog do Esmael

A Polícia Federal indiciou, nesta quarta-feira, 28 de outubro, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e o ex-sócio do Banco Master Augusto Lima por gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O relatório, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), aponta prejuízo já reconhecido de aproximadamente R$ 2,7 bilhões. A PF solicitou ao STF a prorrogação da investigação por 60 dias para concluir perícias pendentes e apresentar um relatório complementar.

As contagens de indiciados apresentam diferenças entre veículos: a Agência Brasil registra 15 pessoas, enquanto o g1 aponta 14. A divergência decorre da forma de contabilizar o grupo abrangido pelo mesmo relatório. O documento é a base da primeira fase da Operação Compliance Zero.

Segundo o relatório, entre julho de 2024 e outubro de 2025 BRB e Master negociaram cerca de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito. Desse montante, ao menos R$ 12,2 bilhões corresponderiam a créditos sem comprovação de existência, concentrados entre janeiro e maio de 2025. Os investigadores descrevem esses negócios como parte do núcleo investigado nesta fase.

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A PF afirma que as aquisições foram fracionadas em parcelas de até R$ 750 milhões para não levar as operações ao Conselho de Administração, limite da Diretoria Colegiada. Cerca de R$ 7,6 bilhões teriam sido pagos antes da conclusão dos pareceres técnicos obrigatórios. No período, o índice de liquidez de curto prazo do BRB teria caído para 0,86, abaixo do mínimo interno de 1,5.

O relatório aponta que a diretoria manteve as compras mesmo após alertas internos sobre consumo acelerado de caixa e deterioração de indicadores. Também teria havido descumprimento de salvaguardas contratuais: não foram exigidas amostras de contratos previstas e a auditoria independente sobre os créditos não foi apresentada dentro do prazo de 90 dias. Esses pontos constam entre as falhas ressaltadas pelos investigadores.

Até a publicação desta matéria, as defesas dos indiciados não haviam se manifestado nas fontes consultadas. Daniel Vorcaro está preso desde março de 2026 no presídio da Papudinha, no Distrito Federal. O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, após a crise de liquidez descrita no relatório.

Os procuradores destacam que o dinheiro envolvido é público, já que o BRB é o banco do Distrito Federal, e as perdas afetariam o capital da instituição. O indiciamento não equivale a denúncia: cabe à PGR decidir se oferece ação penal ao STF, foro dos investigados por prerrogativa de função. A PF pediu a prorrogação para concluir perícias e complementar o relatório antes dessa decisão.

No Paraná, o caso já trouxe desdobramentos administrativos: em setembro o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) homologou cautelar para preservar documentos do CredCesta, cuja operação no estado está questionada. Essa medida visa resguardar informações enquanto são apuradas eventuais irregularidades. O episódio está ligado às investigações sobre operações do Master no país.

Há ainda uma frente de apuração separada envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que investiga o financiamento do filme “Dark Horse” e repasses atribuídos à estrutura de Vorcaro. A Polícia Federal recuperou conversas do celular do ex-banqueiro, registradas em relatório sobre diálogos com Flávio Bolsonaro. A cobertura do caso Master segue em andamento nas instâncias responsáveis.

Com informações de Blog do Esmael.

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