Lula desafia Flávio Bolsonaro a abrir sigilos; senador não aceita proposta
Em debate, presidente propôs divulgação de sigilos bancário, fiscal e telefônico; Flávio negou irregularidades, mas recusou aceitar o desafio nos termos apresentados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafiou o senador Flávio Bolsonaro a autorizar a abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico de suas famílias durante um debate, proposta que o candidato do PL não aceitou nos termos apresentados.
O embate começou com questionamentos de Lula sobre a política externa de Flávio Bolsonaro, em especial a relação com os Estados Unidos e o futuro da exploração brasileira de minerais críticos e terras raras, e com críticas à proposta de cooperação militar chamada Escudo das Américas.
Flávio Bolsonaro negou ter agido contra empresas brasileiras e afirmou que viajou aos Estados Unidos para “defender o Brasil”. O senador também criticou o governo federal por, segundo ele, não enviar representantes para proteger interesses nacionais e fez referência ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).
Ao deslocar o confronto ao tema da corrupção, Lula lançou o desafio que marcou o debate: “Eu desafio você de corrupção e eu amanhã abrimos a nossa conta bancária, abrimos nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão desse país”, declarou o presidente.
O presidente sugeriu que ambos autorizassem a abertura dos dados de suas famílias e entregassem a documentação à Justiça, citando ainda o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como destinatários dos documentos.
Lula apresentou a proposta como forma de permitir que os eleitores conheçam informações sobre os candidatos antes de votar e afirmou que a discussão não deveria ficar restrita a acusações feitas em palanque.
O presidente, contudo, não detalhou no debate o procedimento jurídico para viabilizar a abertura conjunta dos diferentes tipos de sigilo, que têm regimes legais distintos e exigem instrumentos jurídicos específicos para acesso.
Flávio não aceitou o desafio. Ele afirmou: “Não tem absolutamente nada a esconder. Só que a questão, Lula, é que o seu dinheiro é por fora sempre, né?” e mencionou uma declaração atribuída ao empresário Daniel Vorcaro, levantando suspeitas sobre recursos relacionados a um filme e ao Instituto Lula, afirmações que, por si só, não constituem comprovação de irregularidade.
O ponto central do confronto permaneceu sem acordo: Lula pediu a abertura dos sigilos para esclarecer acusações, enquanto Flávio negou irregularidades, mas não autorizou a divulgação nos termos propostos.
Com informações de Blog do Esmael.
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