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Política

Lula confronta Flávio por morte de criança em debate; rivais trocam acusações sobre dívida, escola e segurança

No terceiro bloco do debate da TV Globo, na noite de 23 de outubro, Lula e Flávio Bolsonaro discutiram endividamento, ensino integral e segurança; mãe de Ana Clara acompanhou o programa no estúdio.

24/10/2026 às 08h29 639 leituras
Lula confronta Flávio por morte de criança em debate; rivais trocam acusações sobre dívida, escola e segurança
Foto: PR1 Notícias

O terceiro bloco do debate da TV Globo, na noite de sexta-feira, 23 de outubro, colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em confronto direto sobre endividamento, ensino integral e segurança pública. O momento mais tenso ocorreu quando Lula citou a mãe de Ana Clara, menina de 5 anos morta por um tiro de fuzil, e questionou o senador sobre o julgamento do policial acusado. A votação está marcada para domingo, 25 de outubro.

Flávio Bolsonaro abriu o bloco com críticas ao endividamento dos brasileiros e atacou o adversário: “Meu concorrente prometeu picanha e entregou abóbora”. Ele afirmou que mais de 80 milhões de brasileiros têm contas atrasadas e que o governo gastou mais de R$ 405 bilhões na tentativa de reeleição. “Antes o brasileiro parcelava um fogão, uma geladeira. Agora parcela o que tem dentro da geladeira”, disse o senador.

O senador também citou os 11 milhões de contratos imobiliários da Caixa Econômica Federal, que atingiriam cerca de 30 milhões de pessoas, e afirmou que a maior reclamação na ouvidoria do banco é a persistência do saldo devedor. Flávio prometeu transformar a Caixa no “banco da prosperidade”, com financiamentos para mulheres empreendedoras em favelas: “Vai ser o Itaú das favelas, o Bradesco da periferia”.

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Lula rebateu destacando programas de renegociação de dívidas: afirmou que o primeiro Desenrola atendeu 15 milhões de pessoas e o segundo quase 16 milhões, e disse que o governo prepara um terceiro. Informou que a medida provisória já foi enviada e que um leilão neste mês pode chegar a R$ 150 bilhões para a compra de dívidas dos bancos.

O presidente também defendeu o perdão de dívidas próximo a R$ 15 bilhões para 4 milhões de pessoas e a proibição das apostas online, afirmando que as apostas viraram “um inferno” na vida das famílias. “Nós vamos acabar com as bets para que sobre dinheiro para as pessoas viverem com a sua família dignamente”, declarou Lula.

No tema ensino, Lula afirmou que “educação é mais do que ensino integral”, enquanto o apresentador manteve o foco no tema do telão. Flávio acusou o governo de ter “zerado o orçamento federal para o ensino integral” e chamou Lula de “pai do Tigrinho”, além de criticar a liberação de cassinos online que, segundo ele, só foram cancelados perto da eleição.

Lula reagiu dizendo que o chamado Tigrinho foi criado em 2022, no governo de Jair Bolsonaro, e classificou o senador como “filho do mesmo DNA”. “O Tigrinho foi seu pai que criou”, afirmou o presidente. Em seguida, listou programas como o Pé-de-Meia, a retomada de 5,6 mil creches paralisadas e a meta de ter 100% das escolas em tempo integral até o fim do próximo mandato, e criticou a adoção das escolas cívico-militares.

Flávio negou que pretenda acabar com o Pé-de-Meia, prometeu auxílio-creche para mães sem vaga na rede pública e disse que ampliará o ensino técnico no contraturno com tecnologia e inteligência artificial. Citou também o reajuste de 33% aos professores no governo Jair Bolsonaro e afirmou que a nota do Brasil no Pisa é uma das piores da história.

Na rodada sobre segurança, Flávio escolheu a retomada de territórios, criticou saídas temporárias de presos e citou o assassinato do sargento Roger Dias, em Minas Gerais. Perguntou por que Lula não classifica o Comando Vermelho, o PCC e as milícias como organizações terroristas.

Lula voltou a mencionar Ana Clara e disse que a mãe da menina acompanhava o debate no estúdio; questionou por que “um senador da República impede o julgamento de um policial que deu um tiro de fuzil em uma criança de 5 anos” e perguntou: “Que território é esse? O território da bala?”.

Flávio classificou a morte como “uma tragédia”, disse que confia que o disparo não partiu do policial ainda não julgado e manifestou solidariedade à mãe. Prometeu classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações de “narco terroristas”, com penas de até 80 anos, e defender a redução da maioridade penal.

Lula respondeu lembrando o passado do senador na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, afirmou que Flávio defendeu milicianos e citou que a mãe da vereadora Marielle Franco acompanhava o debate. Acusou o adversário de querer “entregar o território” ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Flávio anunciou a criação de um ministério da Segurança, caso a proposta de emenda à Constituição seja aprovada, e resumiu seu programa em “O trabalhador proteção, o bandido cadeia”. O apresentador informou que novo pedido de direito de resposta do senador foi negado e encerrou o bloco.

Pesquisa Datafolha divulgada em 22 de outubro apontava empate técnico, com 50% a 50% nos votos válidos. O caso de Ana Clara levou a disputa para o quarto bloco do debate, tema livre.

Com informações de Blog do Esmael.

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