Juíza federal rejeita pedido do governo Trump para barrar certificação no Alasca
Decisão de Sharon Gleason ocorre dois dias antes da eleição de meio de mandato; governo anunciou recurso ao 9º Circuito.
A juíza federal Sharon Gleason, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos, negou neste domingo (1º) a ação do governo de Donald Trump que visava impedir a certificação do resultado da disputa ao Senado no Alasca. A decisão saiu dois dias antes da eleição de meio de mandato, marcada para terça-feira (3).
Gleason concluiu que o governo federal não demonstrou autoridade legal para mover o processo e que o tribunal não tinha jurisdição para julgar o caso. Menos de duas horas após a sentença, a administração informou à corte que recorrerá ao Tribunal de Apelações do 9º Circuito.
A ação buscava evitar que o Alasca certificasse um vencedor na disputa pelo Senado. Trump confirmou em 23 de outubro que orientou o Departamento de Justiça a tentar barrar a certificação caso o senador republicano Dan Sullivan perdesse por margem estreita. Os apoiadores da medida citaram a presença do nome semelhante Dan J. Sullivan na cédula como risco de divisão de votos.
Especialistas veem no episódio uma tentativa de contestar resultados antes mesmo da apuração. Trump já declarou que respeitaria a eleição “se forem eleições honestas”, expressão usada sem definição clara sobre o que considera critérios de honestidade; em 2020 ele acusou fraude na derrota para Joe Biden sem apresentar provas.
A eleição de meio de mandato renova 435 cadeiras da Câmara, 35 das 100 cadeiras do Senado e 36 governos estaduais, com cerca de 210 milhões de eleitores aptos a votar. Os republicanos chegam ao pleito com maioria apertada em ambas as casas, situação que permitiu a Trump avançar sua agenda nos últimos dois anos.
A maioria das pesquisas indica vantagem democrata na Câmara e disputa acirrada no Senado. O custo de vida figura como principal tema de campanha, e analistas apontam que a escalada do conflito iniciado pelo governo Trump contra o Irã elevou preços de combustíveis ao afetar a navegação no Estreito de Ormuz.
O desfecho da eleição tem implicações para o Brasil. Congressistas democratas têm cobrado explicações sobre a atuação da Meta nas eleições brasileiras, a revogação de visto da embaixadora do Brasil nos EUA e a autorização para entrada de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no país; essas cobranças, por enquanto feitas por cartas, podem se transformar em investigações formais.
“Se a oposição conquistar uma das Casas, poderá ampliar investigações, exigir explicações do governo e dificultar sua agenda legislativa”, afirmou Paulo Abrão, diretor-executivo da Brazil Office Alliance. Ele ressaltou que a política externa permanece nas mãos do presidente, mas que um Congresso mais independente eleva o custo político e amplia requisitos de transparência e de prestação de contas.
O caso do Alasca ilustra o risco de criar precedente: se um governo federal obtiver autorização para bloquear certificações antes da confirmação de resultados, outros estados poderiam enfrentar tentativas semelhantes. A decisão da juíza freou a movimentação inicial, mas o recurso mantém o tema ativo e pode chegar ao pleno do 9º Circuito antes da posse dos eleitos.
Acompanhar o desfecho nos Estados Unidos é relevante para leitores de União da Vitória, Porto União e região, dada a possibilidade de impacto nas relações e investigações envolvendo autoridades brasileiras.
Com informações de Blog do Esmael.
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