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Política

Itamaraty convoca diplomata argentina para esclarecer saída de Flávio Bolsonaro aos EUA

Chamada formal ocorre após rotas de fuga pelo aeroporto de Puerto Iguazú e relatos de apoio do governo de Javier Milei.

31/10/2026 às 09h06 50 leituras
Itamaraty convoca diplomata argentina para esclarecer saída de Flávio Bolsonaro aos EUA
Foto: PR1 Notícias

O Ministério das Relações Exteriores convocou, nesta sexta-feira, 30 de outubro, a encarregada de negócios da embaixada da Argentina em Brasília, Maria Emília Cortés, para prestar esclarecimentos sobre a participação do governo de Javier Milei na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil com destino aos Estados Unidos. Duas fontes do governo brasileiro confirmaram a convocação, que é a primeira medida formal de Brasília contra Buenos Aires neste episódio.

Cortés foi recebida na noite de quinta-feira, 29 de outubro, pelo diretor do Departamento de América do Sul do Itamaraty, embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz. Segundo um dos relatos, a conversa foi rápida; a chamada de um diplomata é praxe entre governos que desejam registrar desagrado sem romper relações.

O senador chegou aos Estados Unidos na manhã de quarta-feira, 28 de outubro, após utilizar o aeroporto de Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones, como rota de saída. O trecho final da viagem foi realizado em um jato fretado pelo governo norte-americano, e a passagem pela cidade vizinha de Foz do Iguaçu colocou a fronteira do Paraná no centro da crise diplomática.

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Reportagens argentinas descrevem envolvimento direto de integrantes do governo Milei com o senador e sua família, incluindo escolta da polícia aeroportuária argentina que o acompanhou até o embarque. O governo argentino não desmentiu essas informações oficialmente.

Em carta divulgada na quinta-feira, 29 de outubro, Flávio Bolsonaro agradeceu nominalmente a Milei e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo apoio recebido. O documento também serviu de base para a construção de um pedido de asilo político, segundo reportagem do Blog do Esmael.

Ao deixar o país, o senador descumpriu determinação judicial de entregar os passaportes e de não sair do território nacional. A ordem foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de um inquérito que apura lavagem de dinheiro e evasão de divisas; o pedido da Polícia Federal foi protocolado sete minutos após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamar o resultado da eleição presidencial.

Flávio Bolsonaro perdeu a disputa para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 votos do senador (48,21%). A eleição foi decidida em segundo turno no domingo, 25 de outubro.

A crise entre Brasil e Argentina antecede a fuga: Milei esteve no Brasil para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro e atacou o presidente Lula em discurso, além de repetir críticas em entrevistas e redes sociais. Em resposta, o governo brasileiro retirou o embaixador em Buenos Aires, Júlio Bitelli, e rebaixou o nível das relações; o então embaixador argentino em Brasília, Daniel Ribondi, também deixou o posto. Cortés responde pelo corpo diplomático argentino desde o fim de julho.

O chanceler argentino, Pablo Quirno, afirmou que não houve pedido de explicações do governo brasileiro, versão que contraria as duas fontes ouvidas pela reportagem. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que não vai comentar o assunto.

Segundo uma das fontes do governo, não há previsão de mudança nas relações entre os dois países em um futuro próximo. Milei mantém postura agressiva em relação ao Brasil, e, na avaliação do governo brasileiro, a ajuda na fuga do senador configura intromissão na política interna do país; no plano prático, a rota usada por Flávio Bolsonaro atravessa a Tríplice Fronteira, área de atuação permanente da Polícia Federal e da Receita Federal, região que teve efetivo federal reforçado desde o segundo turno.

Com informações de Blog do Esmael.

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