Grupo de advogados e ex-ministros pede união para derrotar Flávio Bolsonaro no 2º turno
Manifesto divulgado em 15 de outubro de 2026 reúne mais de cem assinaturas e aponta riscos econômicos e institucionais nas propostas atribuídas ao candidato.
Um conjunto de advogados, professores de Direito, ex-ministros e dirigentes de entidades da advocacia divulgou um manifesto, datado de 15 de outubro de 2026, que convoca a união das forças democráticas para derrotar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno contra Lula (PT). O segundo turno está marcado para domingo, 25 de outubro. No primeiro turno, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, segundo a Justiça Eleitoral.
O documento é subscrito pelo Grupo Prerrogativas, pelo Sindicato dos Advogados de São Paulo (SASP) e por mais de cem nomes, entre eles os ex-ministros Tarso Genro e José Eduardo Martins Cardozo; os ex-presidentes nacionais da OAB Cezar Britto e Felipe Santa Cruz; o ex-advogado-geral da União Alvaro Augusto Ribeiro; e o deputado federal Orlando Silva. Os cargos figuram conforme descritos pelos próprios signatários.
No texto, a eleição é colocada como uma escolha entre a preservação da ordem constitucional e “um projeto de arbítrio, violência política e regressão social”. Os signatários afirmam que o bolsonarismo é “essencialmente antidemocrático” e que adota, como método de governo, a ameaça permanente de golpe de Estado. Essas formulações são apresentadas pelos autores do manifesto e não como conclusões de órgãos de controle.
Em termos econômicos, o manifesto sustenta que Bolsonaro planeja um corte de R$ 250 bilhões em gastos públicos. Segundo o texto, esse ajuste implicaria o fim da política de ganhos reais do salário-mínimo, a desvinculação de aposentadorias do INSS e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a revogação dos pisos constitucionais da saúde (15% da receita corrente líquida) e da educação (18% da receita líquida de impostos). O documento não informa a origem do valor de R$ 250 bilhões nem as fontes das propostas atribuídas ao candidato do PL.
O manifesto também afirma que “Flavio Bolsonaro declarou que vai alterar a Constituição” e que a intenção seria impor uma Carta voltada ao mercado, com cortes de direitos econômicos e sociais. O texto não indica data, local ou veículo em que essa declaração teria sido feita. A campanha de Flávio Bolsonaro tem espaço aberto para resposta.
Os autores usam o termo “tesouraço” para descrever os cortes de direitos que atribuem ao candidato e afirmam que ele busca ocultar esse objetivo. Em contraponto, o documento cita os governos Lula como exemplo de que responsabilidade fiscal pode ser alcançada por meio do crescimento econômico, do estímulo ao mercado interno e do aumento da arrecadação.
Há, no próprio manifesto, uma ressalva sobre alcance e forma de apelo: o texto não pede voto em Lula de maneira expressa; seu apelo explícito é derrotar nas urnas a candidatura de Flávio Bolsonaro. Na prática, no segundo turno, a vitória de um implica a derrota do outro.
O Paraná está representado entre os signatários por professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), como Katie Silene Cáceres Arguello, titular de Criminologia, Juarez Cirino dos Santos, e Priscila Caneparo, professora de Direito Internacional. A presença de acadêmicos de Curitiba reforça o peso da mobilização jurídica na reta final da campanha, na disputa pelos eleitores que não votaram ou escolheram outros candidatos no primeiro turno.
Manifestos de categorias profissionais não definem o resultado das eleições, mas contribuem para organizar o discurso de cada campo. A diferença no primeiro turno foi de 1,87 ponto percentual. A íntegra do manifesto e a lista de subscritores foram divulgadas pelos autores; a matéria tem como fonte o Blog do Esmael. Mantemos aberta a possibilidade de resposta das partes citadas.
Com informações de Blog do Esmael.
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