Governo registra 45 casos de violência política e confirma 10 mortos
Levantamento federal aponta episódios desde 24 de outubro; três das vítimas são indígenas.
O governo federal informou nesta quarta-feira, 28 de outubro, que acompanha 45 casos de violência política registrados desde sábado, 24 de outubro. Os episódios resultaram em dez mortes, sendo três indígenas.
O balanço foi apresentado em coletiva no Ministério da Justiça e Segurança Pública pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. Também participaram o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, e o secretário-executivo do ministério, Ademar Borges.
Segundo o levantamento, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina concentram o maior número de ocorrências, nessa ordem. Paraná e Santa Catarina incluem no território cidades das regiões da AMSULPAR e da AMCG.
As ocorrências envolvem atropelamentos intencionais, agressões físicas, disparos e atentados com armas de fogo, além de violência e coação contra indígenas e relatos de abuso e violência policial.
“Isso é inadmissível. As medidas que vamos anunciar aqui vêm de uma sociedade que não tolera violência política. Isso não cabe na democracia, não pode e não ficará impune”, afirmou Boulos, classificando os ataques como próprios de barbárie.
O governo anunciou três frentes de resposta: a Polícia Federal investigará crimes de competência federal; crimes comuns seguirão com as autoridades estaduais; e o Ministério da Justiça acionará as corregedorias das polícias e pedirá o afastamento de agentes envolvidos em abusos.
A Polícia Federal abriu inquérito para apurar o ataque à vereadora Iara Pimentel (PT) em Minas Gerais, ocorrido durante uma carreata. A Força Nacional foi mobilizada para atuar na proteção de comunidades indígenas.
Boulos informou que a centralização das investigações ficará na Procuradoria-Geral da República. Em seguida, o secretário-executivo Ademar Borges esclareceu que não se trata de federalização, pois a Polícia Federal já tem competência legal para investigar crimes eleitorais e crimes contra o Estado Democrático de Direito.
O governo afirmou que os números apresentados não incluem ocorrências contra eleitores de Flávio Bolsonaro. A maior parte dos registros ocorreu entre a noite de domingo, 25 de outubro, e segunda-feira, 26.
O Paraná lidera o levantamento no momento em que o estado prepara a transição do governo de Ratinho Junior (PSD) para Sergio Moro (PL), marcada para começar em 5 de novembro. As investigações seguem em curso pelas polícias estaduais e pela Polícia Federal.
Com informações de Blog do Esmael.
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