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Política

Flávio Bolsonaro viaja aos EUA após descumprir ordem de Alexandre de Moraes

Senador deixou o país na madrugada de 27 de outubro; Departamento de Estado diz que concederá vistos e a Polícia Federal investiga a saída.

27/10/2026 às 19h42 1171 leituras
Flávio Bolsonaro viaja aos EUA após descumprir ordem de Alexandre de Moraes
Foto: PR1 Notícias

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos na madrugada de terça-feira, 27 de outubro, segundo aliados do parlamentar e fontes do governo norte-americano. A saída ocorreu menos de 48 horas após a derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e depois de ele ter descumprido determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para entregar os passaportes à Polícia Federal.

Até o início da noite de terça-feira, nenhuma autoridade brasileira ou norte-americana havia confirmado oficialmente a saída. Por volta das 15h30, o investidor Simón Levy afirmou em rede social que Flávio “chegou em segurança ao território americano” e atribuiu a operação ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sob o nome “Operação Alba”.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou a uma repórter da TV Globo que concederá vistos a Flávio Bolsonaro e à sua família e permitirá a entrada deles no país, sem confirmar se o senador já estava em solo americano. As agências Reuters e The New York Times noticiaram a viagem com base em fontes anônimas.

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A Polícia Federal apura as circunstâncias da saída e informou não ter identificado passagem por ponto regular de controle migratório brasileiro. Na terça-feira a corporação também cancelou os passaportes do senador, após o não cumprimento da determinação judicial.

A cronologia jurídica começou na noite de domingo, 25 de outubro, quando o ministro Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes em 24 horas e proibiu a saída do país. O prazo terminou na manhã de terça-feira sem a apresentação dos documentos; a PF justificou o pedido de cancelamento por risco concreto de evasão e por suspeitas envolvendo recursos vinculados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos no STF: um que apura lavagem de dinheiro em um suposto esquema relacionado ao advogado Willer Tomaz e a empresas de apostas, e outro que investiga o financiamento do filme Dark Horse, sobre a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador nega irregularidades e afirma que sua relação com Willer Tomaz é de amizade, sem sociedade empresarial.

No Senado, o PSOL protocolou na Mesa Diretora pedido de cassação do mandato de Flávio, solicitando investigação por abandono de cargo, suspensão da remuneração durante a ausência e análise da perda do mandato. Assinam o pedido os deputados Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Glauber Braga (PSOL-RJ), Fábio Félix (PSOL-DF), Jones Manoel (PSOL-PE), Renato Freitas (PT-PR) e a vereadora Vivi Reis (PSOL-PA). Caberá ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ou à Mesa Diretora decidir sobre o prosseguimento.

No Supremo, os deputados Lindbergh Farias (PT-RJ), Alencar Santana (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) pediram o bloqueio de bens, direitos e valores do senador até o limite de R$ 6 bilhões e solicitaram que a Procuradoria-Geral da República se manifeste em 24 horas. A petição cita a declaração de bens de Flávio à Justiça Eleitoral, de R$ 8,18 milhões, que inclui imóvel no Lago Sul, em Brasília, avaliado em R$ 6,22 milhões.

O mandato de Flávio Bolsonaro vai até 1º de fevereiro de 2027. Pela jurisprudência atual do STF, a Corte mantém competência para julgar ex-parlamentares quando os crimes investigados têm relação com o exercício da função pública, e a viagem ao exterior não suspende a tramitação dos inquéritos.

Politicamente, a saída do país isolou o senador dentro do espectro oposicionista. O PL reconheceu a vitória de Lula em 26 de outubro, e o vice da chapa derrotada, Alfredo Gaspar, adotou a mesma posição na terça-feira. Aliados de Flávio dizem tratar-se de perseguição e afirmam que a decisão de Moraes se apoiou em declaração de Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde 2025 e defendeu a saída do irmão em caso de derrota.

Até agora, o que se sabe é que o governo dos Estados Unidos indicou abertura para receber Flávio Bolsonaro, que o Senado ainda não definiu o encaminhamento do pedido de cassação e que o STF mantém dois inquéritos em andamento; o desfecho dependerá de decisões judiciais e administrativas a serem tomadas nas próximas semanas.

Com informações de Blog do Esmael.

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