Flávio Bolsonaro transmite de Miami, questiona STF e fala em 'novas eleições antes de 2030'
Senador fez primeira declaração pública após deixar o Brasil em live, negou ser foragido e não apresentou provas das alegações de fraude.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) falou pela primeira vez desde que deixou o Brasil em uma transmissão ao vivo no Instagram na noite de sexta-feira (30), diretamente de Miami, nos Estados Unidos. O ex-candidato à Presidência, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de 25 de outubro, afirmou ter sido alvo de perseguição e insinuou fraude eleitoral sem apresentar evidências, além de citar a possibilidade de “novas eleições antes de 2030”.
A live começou por volta das 21h48 (horário de Brasília) e teve duração aproximada de 40 minutos. Flávio Bolsonaro apareceu acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas do casal.
O senador não detalhou a logística de sua saída do país, como a travessia pela fronteira seca em Foz do Iguaçu (PR), o uso de passaporte italiano para entrada na Argentina e o fretamento de um jato por um broker americano. Ele disse que a decisão de sair do país foi tomada em conversa com a esposa, "poupando aliados".
Flávio relatou que, na segunda-feira (26), visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília, e que agentes da Polícia Federal o intimaram na porta da residência. "Meu pai viu a PF me intimar e eu disse a ele: 'pai, eu sei o que vou fazer'", afirmou o senador.
A intimação foi decorrente de ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros de Flávio Bolsonaro e exigiu a entrega do passaporte italiano em 24 horas, sob risco de inclusão em alerta vermelho da Interpol.
Segundo o senador, a decisão de Moraes teria sido motivada por declaração do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que em 23 de outubro disse, em entrevista ao comentarista americano Steven Crowder, que Flávio deveria deixar o Brasil se perdesse a eleição. A Polícia Federal registrou representação ao STF no domingo (25), citando "risco de fuga".
Na transmissão, Flávio repetiu a narrativa de perseguição: "Não sou foragido. Não cometi crime nenhum. Minha fuga não é fraqueza, é estratégia". Questionado por seguidores sobre a legalidade da saída — incluindo o fato de não ter passado por posto de controle migratório brasileiro ao cruzar a Ponte Internacional Tancredo Neves rumo à Argentina —, ele não respondeu. A PF informou na quarta-feira (28) que não há registro oficial da saída nos sistemas migratórios.
O jato que fez a rota Argentina–Equador–EUA foi, segundo apuração do Blog do Esmael, pago por um broker sediado nos Estados Unidos no valor de US$ 150 mil. O Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca declarou que não vai apoiar Flávio Bolsonaro.
O senador entrou nos Estados Unidos com um passaporte diplomático brasileiro que já havia sido cancelado pela Polícia Federal e recebeu autorização de entrada humanitária válida até outubro de 2027.
No cenário político, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, elogiou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como "principal alternativa na direita", enquanto Valdemar Costa Neto, do PL, levou a crise a Jair Bolsonaro e disse que "não gostei" da carta em que o filho se autodeclarava "presidente eleito".
Flávio Bolsonaro acumula 11 faltas não justificadas no Senado; o limite constitucional de um terço das sessões será atingido em dezembro, o que pode levar à perda do mandato por abandono. O senador não indicou data de retorno ao país.
Com informações de Blog do Esmael.
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