Especial Dia de Finados: psicóloga explica por que o luto não tem prazo
Na entrevista ao programa União é Notícia, a psicóloga Daniele Jasniewski falou sobre reações, cuidados e como acolher quem perdeu alguém.
O Dia de Finados, comemorado em 2 de novembro, motivou reflexão sobre saudade e perda durante o programa União é Notícia. A psicóloga Daniele Jasniewski participou da edição e abordou aspectos emocionais do luto e a necessidade de acolhimento nas cidades da região, como União da Vitória (PR) e Porto União (SC).
Daniele destacou que falar sobre morte e sofrimento ainda é tabu, apesar de ser essencial para a saúde emocional. Ela lembrou que o luto não se restringe à morte: término de relacionamento, perda de emprego ou mudança de cidade também podem desencadear processos semelhantes.
Sobre os primeiros momentos após uma perda, a profissional explicou que o estado de choque é uma reação comum, com sensação de anestesia emocional diante da notícia. Esse mecanismo pode funcionar como proteção temporária, ajudando a pessoa a lidar com as exigências práticas iniciais, como organizar o funeral e comunicar familiares; como popularmente se diz, “a ficha ainda não caiu”, afirmou Daniele.
A entrevistada também comentou a diferença entre mortes repentinas e perdas após doenças prolongadas. Em casos de enfermidade longa pode haver um luto antecipatório, quando familiares começam a se preparar emocionalmente; já na morte inesperada a falta de preparação tende a aumentar incredulidade e dificuldade de aceitação.
Daniele reforçou que o luto não segue uma sequência linear e varia conforme histórico emocional, experiências anteriores, relação com quem morreu e circunstâncias do falecimento. Comportamentos como evitar o quarto da pessoa falecida ou, por hábito, tentar enviar mensagens a quem já se foi podem integrar o processo de adaptação, mas, se o sofrimento persistir e comprometer a rotina, é indicada avaliação especializada.
A psicóloga destacou que não se trata de esquecer, mas de aprender a conviver com as lembranças. Ela criticou a cobrança social por uma retomada rápida da vida e explicou que tentar esconder ou acelerar a dor pode dificultar a elaboração emocional da perda.
Outro ponto abordado foi a transformação da identidade de quem permanece: mudanças em rotinas, responsabilidades e projetos – o chamado “luto do futuro” – exigem reorganização e podem alterar a percepção sobre a própria vida. Daniele explicou que esse processo permite construir uma nova realidade mantendo memórias e vínculos afetivos.
Quanto à relação entre luto e doença, a profissional explicou que sentir tristeza, raiva, culpa ou remorso é esperado, mas dificuldades persistentes podem levar ao adoecimento psicológico e manifestar-se também por sintomas físicos, como dores musculares, enxaqueca e problemas gastrointestinais. Por isso, é importante procurar acompanhamento quando o sofrimento se torna incapacitante ou prolongado.
Sobre formas de acolhimento, Daniele orientou evitar frases como “seja forte” ou “a vida continua” e priorizar presença, escuta e respeito ao tempo de cada pessoa. Gestos simples — ajuda nas tarefas, uma refeição, visita ou apenas ficar ao lado de quem sofre — podem ser mais úteis que palavras; muitas vezes o silêncio acompanhado é suficiente.
Ao tratar dos rituais de lembrança no Dia de Finados, a psicóloga afirmou que visitar cemitérios, levar flores, acender velas ou reservar minutos para recordar funcionam como autocuidado e preservação de vínculos. O apresentador Rafael encerrou agradecendo a participação da psicóloga Daniele Jasniewski e ressaltou a importância da reflexão sobre a memória dos que partiram.
Com informações de Portal Verde Vale.
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