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Política

Eleições de meio de mandato nos EUA definem controle do Congresso nesta terça-feira

Cidadãos votam em 435 cadeiras da Câmara, 35 do Senado e 36 governos estaduais; custo de vida, guerra com o Irã e imigração dominam a agenda.

03/11/2026 às 08h43 15 leituras
Eleições de meio de mandato nos EUA definem controle do Congresso nesta terça-feira
Foto: Blog do Esmael

Milhões de eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira, 3 de novembro, nas eleições de meio de mandato (midterms). Estão em disputa os 435 assentos da Câmara dos Representantes, 35 das 100 cadeiras do Senado e 36 governos estaduais, além de milhares de vagas nas assembleias estaduais e diversos plebiscitos locais.

O resultado vai definir quem controla o Congresso nos dois últimos anos do segundo mandato de Donald Trump. Atualmente os republicanos têm maioria nas duas Casas: no Senado, 53 cadeiras contra 47 dos democratas e dos independentes que costumam votar com eles. Para reassumir o controle, os democratas precisam conquistar quatro cadeiras no Senado e chegar a 218 assentos na Câmara.

As primeiras urnas abriram em Vermont às 5h15 no horário local, e mais de 56 milhões de americanos já haviam votado antecipadamente. A apuração pode demorar: disputas apertadas, regras distintas para contagem de votos antecipados e por correio, além de recontagens ou ações judiciais, podem atrasar o resultado final.

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O custo de vida é o tema central da campanha. Pesquisa Reuters/Ipsos de outubro aponta o assunto como o mais citado pelos eleitores registrados. A Associação Automobilística Americana informa que o preço médio nacional da gasolina chegou a US$ 4,28 por galão, US$ 1,20 acima do registrado no mesmo período de 2025; alimentos subiram 1,8% no último ano, e os preços das casas avançaram 2,1%.

A guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro, é desaprovada pela maioria dos americanos e pesa sobre candidatos do partido de Trump; o conflito também contribuiu para a alta do petróleo e pressionou a inflação. Outro tema central é a imigração: a atuação ostensiva do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) foi alvo de críticas após a morte de cidadãos americanos em Minnesota.

Estados decisivos para o Senado incluem Michigan, Geórgia, Maine, Carolina do Norte, Ohio, Texas, Iowa e Alasca. Na disputa pela Câmara, a atenção se concentra em distritos de Michigan, Nova Jersey e Pensilvânia. Os primeiros colégios eleitorais fecham às 20h, no horário de Brasília, e os últimos encerram na madrugada de quarta-feira.

Algumas das principais disputas pelo Senado citadas pela imprensa são: em Michigan, o democrata Abdul El-Sayed contra o ex-deputado republicano Mike Rogers; no Maine, o progressista Troy Jackson diante da republicana Susan Collins, que busca o sexto mandato; no Texas, o democrata James Talarico contra o procurador-geral republicano Ken Paxton.

Outros embates incluem a Carolina do Norte, onde o ex-governador Roy Cooper enfrenta Michael Whatley; e em Ohio, a disputa mencionada entre o ex-senador Sherrod Brown e Jon Husted.

A eleição também tem implicações para o Brasil. Um grupo de 25 deputados democratas enviou carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, questionando se o governo americano auxiliou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a fugir para os Estados Unidos ou a entrar no país apesar de restrições judiciais brasileiras. Os parlamentares apontam que uma vitória democrata poderia abrir investigações sobre eventual tratamento diferenciado à família Bolsonaro, embora o Congresso não tenha poder para deportar ou cassar vistos.

Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos em 28 de outubro, após perder o segundo turno da eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva. O senador contesta o resultado e alega fraude, tese que não obteve respaldo das comissões internacionais de observação.

As eleições também servem como teste para a força de Donald Trump dentro do Partido Republicano. Especialistas citam a impopularidade do presidente e o impacto do custo de vida como desafios para a manutenção das maiorias do partido. Historicamente, em 18 das últimas 20 eleições de meio de mandato o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara.

Com informações de Blog do Esmael.

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