Divisão no PL complica apoio à reeleição da presidência da Câmara
Deputado Nikolas Ferreira disse preferir abrir mão da CCJ a apoiar Hugo Motta; eleição para as Mesas ocorre em fevereiro de 2027.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) declarou em 3 de novembro, na sede do partido em Brasília, que prefere renunciar à presidência da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) a apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara. A eleição para as Mesas da Câmara e do Senado está marcada para fevereiro de 2027.
“Entre a presidência da CCJ e manter a coerência, eu prefiro abrir mão da CCJ”, afirmou Nikolas a jornalistas, ressaltando que se trata de uma posição pessoal e não de uma decisão da bancada. Ele informou que pretende conversar com Hugo Motta nesta quarta-feira, 4 de novembro.
O deputado mencionou dois nomes do PL como alternativas à presidência da Câmara: Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), e afirmou que não há definição sobre o assunto. A postura de Nikolas contraria a direção do partido, que negocia apoio com o bloco de Hugo Motta e avalia reivindicar o comando de sete comissões na Câmara.
Nikolas justificou a posição com a necessidade de preservar a identidade política do PL mesmo que isso signifique perder cargos. Ele criticou Hugo Motta pelo apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de 2026 e repetiu: “Entre comissões e coerência, acho que eu prefiro ficar com a coerência”.
O cálculo eleitoral está no centro da disputa: o PL terá a maior bancada da Câmara, e a presidência da Casa define controle da pauta, das comissões e do calendário de votações em ano de eleição presidencial. Para o grupo de Nikolas, apoiar a candidatura de Hugo Motta pode sair mais caro do que abrir mão da presidência da CCJ, pois entregaria ao adversário o comando da agenda.
Na mesma reunião, Nikolas defendeu a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado, avaliando que ela está mais avançada. Enquanto isso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), negocia pautas de interesse da oposição e tenta dividir a bancada do PL para somar votos fora de seu campo.
O Senado aprovou por unanimidade a PEC da Segurança Pública em 3 de novembro e acertou tentativa de votar a redução da maioridade penal em 4 de novembro. Com o PL dividido entre lealdade ao campo bolsonarista e acordo com Hugo Motta, a sigla chega ao pleito interno sem comando único, o que abre espaço para negociações separadas do bloco de Motta e do bloco de Alcolumbre.
Com informações de Blog do Esmael.
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