Decisivos debates e a escolha de Jair Bolsonaro explicam derrota de Flávio no segundo turno
Autoridade familiar na indicação e deslizes nos debates, com forte repercussão digital, são apontados como as principais causas da perda.
A principal razão apontada para a derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno foi a escolha do próprio Jair Bolsonaro em impor o filho como candidato, em vez de lançar nomes testados e com menor rejeição, segundo a análise do autor. Essa decisão teria privilegiado a continuidade familiar em detrimento de alternativas consideradas mais competitivas.
O primeiro turno, diz o texto, mostrou que a direita é majoritária no país, o que tornaria qualquer candidatura sem rejeição favorita frente a uma gestão mal avaliada. Como alternativas óbvias ao nome ungido, o autor cita os governadores Tarcísio de Freitas, Ratinho Junior, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Eduardo Leite e outros que, na avaliação, teriam sido opções melhores.
O artigo sugere ainda que a prioridade da campanha não teria sido o país, mas a anistia para Jair Bolsonaro, conforme declarações do candidato. Em seguida, o autor destaca os debates como variáveis decisivas que definiram a eleição, com ênfase especial no encontro da Rede Globo.
O primeiro debate na Band, afirma o autor, já expôs os candidatos sem a blindagem do marketing; ele cita audiência de 10 a 11 milhões de telespectadores e recortes no dia seguinte que teriam alcançado cerca de 60 milhões, alterando levemente as pesquisas. Naquele confronto, Flávio mostrou mais desenvoltura e menos nervosismo, embora sua atitude tenha sido vista por parte do público como arrogante.
O autor avalia que Lula equilibrou o confronto ao introduzir o chamado 'desafio da moralidade' e que, sem isso, Flávio poderia ter saído da Band em vantagem. Porém, o debate na Globo é apontado como o capítulo decisivo, assistido por mais de 60 milhões de pessoas, com recortes que no dia seguinte teriam superado 100 milhões.
Segundo o texto, a esquerda buscou durante toda a campanha vincular o candidato à milícias, a suspeitas como rachadinhas e a compras de imóveis em dinheiro vivo, além de associá-lo a atitudes discriminatórias do pai. Embora essas acusações tivessem aparência de denúncia eleitoral, os deslizes de Flávio nos debates teriam confirmado o perfil que os adversários tentavam construir.
O autor destaca dois atos falhos que teriam definido a eleição: a repetição de ofensa a Lula ao chamá-lo de "nove dedos" — já no terceiro episódio desse tipo — e a defesa do policial acusado de matar a menina Ana Clara, quando Lula citou Cristiane, mãe da criança. Essas manifestações, diz o texto, transformaram Lula em vítima perante milhões de telespectadores e consolidaram a imagem negativa atribuída a Flávio.
A campanha digital da esquerda, liderada na análise pelo coordenador André Janones, mobilizou milhões de jovens e universidades, além de idosos organizados no que o autor chama de 'Exército do Lula'. Essa ativação online e a migração dos recortes dos debates para o ambiente digital teriam potencializado a virada da esquerda no segundo turno.
Na conclusão, o autor resume seu veredicto: foi a pior disputa da história democrática recente, agravada por contradições dos candidatos. Reproduz a crítica de que a campanha da esquerda teria gasto quase 400 bilhões dos cofres públicos e pede que a população pressione Executivo, Legislativo e Judiciário por reformas e responsabilidade. O texto ainda ressalta que o desfecho teve repercussão nacional e também ecoou entre eleitores das regiões da AMSULPAR e da AMCG.
Com informações de Portal Verde Vale.
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