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Política

Debate na TV Globo: Flávio Bolsonaro faz trocadilho sobre Lula e promete reajuste do salário mínimo

No primeiro bloco do confronto na noite de sexta (23), o senador cobrou obras paradas, prometeu ferrovias e foi alvo de cobras sobre custos e desculpas por provocação.

25/10/2026 às 10h12 615 leituras
Debate na TV Globo: Flávio Bolsonaro faz trocadilho sobre Lula e promete reajuste do salário mínimo
Foto: Blog do Esmael

O primeiro bloco do debate entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado na TV Globo na noite de sexta-feira, 23 de outubro, ficou marcado por críticas à infraestrutura, promessas de reajuste do salário mínimo acima da inflação e uma provocação do senador envolvendo a deficiência física do adversário. A votação ocorre no domingo (25).

Foram discutidos seis temas — infraestrutura e exportação, depois as regiões Sudeste, Centro-Oeste, Sul, Norte e Nordeste —, com cada candidato fazendo três perguntas; o tempo era de três minutos para pergunta e réplica e o mesmo para resposta e tréplica. Flávio Bolsonaro abriu o confronto.

Ao cobrar investimentos para escoamento da produção, Flávio citou relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) apontando mais de 11,5 mil obras paralisadas e afirmou que o país virou um “cemitério de obras”. Perguntou como Lula entregaria a infraestrutura se, em quatro anos, não concluiu obras necessárias.

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Lula citou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como resposta, apontando R$ 1,7 trilhão em obras, quase R$ 800 bilhões já executados e ter herdado 6 mil obras paradas. Enumerou ainda obras como a BR-319, a Transnordestina, a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), a Ferrovia de Integração Leste-Oeste (Fiol), a Serra das Araras, o túnel de Santos, o novo porto de Manaus, o VLT de Salvador e a transposição do rio São Francisco.

Na réplica, Flávio prometeu “rasgar o Brasil de ferrovias”, concluir a Transnordestina até os portos de Suape (PE) e Pecém (CE), construir o eixo sul da ferrovia e manter pedágio zero para motociclistas, sem apresentar custos, prazos ou fonte de financiamento. Em seguida hesitou ao repetir o número de pontos de internet instalados no governo do pai: “mais de 11 milhões, até ainda mais de 11 milhões de brasileiros aonde gente?”.

Lula criticou a resposta como decorada: “Meu adversário parece aqueles alunos que se preparam para o vestibular, decoram, mas não aprendem”, e sugeriu ao eleitor conferir no Google a comparação dos investimentos federais.

No bloco sobre o Sudeste, Lula perguntou quanto custaria o salário mínimo se o PT não tivesse reajustado o piso acima da inflação e respondeu: R$ 900. Flávio Bolsonaro não refutou o número, falou em dívida, juros e inflação e questionou: “Lula, por que você endividou o povo brasileiro desse jeito?”

Cobrado novamente, Flávio assumiu compromisso em mais de uma ocasião: “Com certeza eu vou reajustar o salário mínimo acima da inflação, aposentadoria acima da inflação”, disse, repetindo o compromisso quando Lula exigiu resposta sobre BPC, pensionistas e os 26 milhões de aposentados que recebem o piso.

Ao falar sobre tarifa zero, Flávio declarou-se “super a favor” da gratuidade do transporte coletivo aos fins de semana, e emendou: “Não adianta nada, Lula, o salário mínimo ser de R$ 1.621 se você dar com uma mão e tira com os 9 dedos.” A fala faz referência à falta de um dedo da mão esquerda do presidente.

No segundo bloco, Lula exigiu um pedido de desculpas pela provocação. Flávio recuou e disse: pediu desculpas “se o ofendeu” e afirmou que não foi sua intenção.

Em temas regionais, no Centro-Oeste Flávio acusou o governo de tratar quem produz alimento como “fascista” e questionou por que Lula “humilha” o agronegócio. Lula respondeu com “dá um Google” e citou 700 novos mercados abertos e superávit comercial de quase R$ 85 bilhões, indicadores que atribuiu ao seu governo.

No trecho sobre o Sul, Lula voltou ao salário mínimo e perguntou se o reajuste valeria para ativos e aposentados; Flávio confirmou. O senador também acusou Lula de abandonar o Rio Grande do Sul na tragédia de 2024 e prometeu apoio ao governador eleito Zucco. Falou, ainda, em usar a Marinha no combate ao tráfico de armas e drogas no Porto de Paranaguá, no Paraná, sem detalhar efetivo, prazos ou custos — ponto relevante para municípios da região portuária.

No Norte, a discussão sobre saneamento teve Flávio afirmando que a bancada do PT votou contra o Marco Legal do Saneamento. Lula disse que o adversário “não conhece o Brasil” e lembrou a crise de oxigênio em Manaus; Flávio classificou a acusação como fake news e disse que o vídeo citado foi tirado de contexto.

Na rodada final, sobre o Nordeste, Flávio prometeu uma ferrovia de Salvador a São Luís, criticou a presença do Comando Vermelho em estados nordestinos e prometeu reajuste do Bolsa Família. Lula listou investimentos em universidades, institutos federais e a transposição do São Francisco.

O primeiro bloco terminou sem que qualquer um dos candidatos apresentasse planilhas de custos para as promessas feitas. Pesquisa Datafolha divulgada em 22 de outubro mostrava empate técnico de 50% a 50% nos votos válidos.

O Blog do Esmael acompanhou o confronto desde o pré-debate, às 20h.

Com informações de Blog do Esmael.

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