Broker na Flórida pagou US$150 mil pelo jato que levou Flávio Bolsonaro aos EUA
Dono da Baires Fly disse à AFP que o pagamento saiu de conta nos EUA; envolvimento de assessor da Casa Branca foi confirmado.
O empresário argentino Luis Grande, dono da companhia Baires Fly, afirmou à agência France-Presse que o jato que transportou o senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos foi contratado e pago por um intermediário residente na Flórida. Segundo Grande, o broker transferiu US$ 150 mil (cerca de R$ 800 mil) de uma conta empresarial em banco americano para uma instituição financeira argentina.
A revelação desloca o caso de uma saída individual para uma operação com dimensão internacional. O jornal The New York Times publicou que a aeronave foi viabilizada por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca e ex-aliado da família Bolsonaro; Miller confirmou ter providenciado o jato.
Fontes da agência Reuters ouvidas indicam que a Casa Branca não pretende transformar o apoio logístico em apoio político. Segundo essas fontes, o governo de Donald Trump não deve endossar a pretensão do senador de falar pelo Brasil, apesar de ter facilitado a saída, numa avaliação de que o presidente evita abrir nova crise com o governo brasileiro a poucos dias da eleição de meio de mandato, em 3 de novembro.
No Brasil, o Palácio do Planalto, segundo auxiliares, optou por não alimentar o episódio; o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não procurar Trump para tratar do caso. A equipe do Executivo diz que eventual atuação cabe ao Judiciário. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, pode encontrar-se com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, na reunião de chanceleres do G20, nos dias 30 e 31 de outubro, e transmitir a mensagem de que até o PL reconheceu a vitória.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na noite de 27 de outubro, horas depois de ser intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Ele atravessou a fronteira com a Argentina, fez escala no Equador e desembarcou em Miami em 28 de outubro acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e de duas filhas.
No mesmo dia, o senador divulgou uma carta em que se apresentou como “verdadeiro presidente eleito” e, após repercussão negativa, substituiu a expressão por “líder do Brasil”. O documento passou por pelo menos quatro versões, com alterações de texto e de brasão. Flávio Bolsonaro afirma que a vitória de Lula foi fruto de fraude, sem apresentar provas.
A eleição de 25 de outubro terminou com 51,79% dos votos válidos para Luiz Inácio Lula da Silva (64.256.232 votos) e 48,21% para Flávio Bolsonaro (59.826.041). O Tribunal Superior Eleitoral proclamou o resultado, e o PL reconheceu a vitória.
O episódio também repercute no Senado: o senador pode perder o mandato por faltas, e a Mesa Diretora da Casa tem a prerrogativa de declarar a vacância sem votação em plenário. A fuga agravou o isolamento político de Flávio; nenhum líder partidário saiu em defesa pública da carta.
Permanece sem resposta oficial a pergunta sobre quem contratou o broker que pagou o voo. Até a manhã de 30 de outubro nem o senador, nem a Casa Branca, nem o governo argentino haviam explicado quem financiou a operação.
Com informações de Blog do Esmael.
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