Alcolumbre articula anistia para libertar Bolsonaro e angariar apoio à reeleição no Senado
O senador busca alternativa para tirar o ex-presidente da prisão e obter o respaldo da direita na eleição da Mesa do Senado, em 2027.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem articulado um acordo para retirar Jair Bolsonaro (PL) da prisão e, em troca, conquistar o apoio da direita para sua reeleição ao comando da Casa em fevereiro de 2027. A movimentação foi tornada pública na manhã de domingo, 1º de novembro, e não foi confirmada oficialmente pelo senador.
Em Brasília circulam duas hipóteses: a primeira seria oferecer ao presidente Lula um indulto humanitário a Bolsonaro, proposta que ainda não foi levada ao petista e é tratada como remota. A segunda, considerada com mais chance de prosperar, é aprovar uma anistia no Congresso Nacional.
O desenho em estudo permitiria a saída de Bolsonaro da prisão sem restituir seus direitos políticos. O ex-presidente permanece inelegível ao menos até 2060 por condenações na Justiça Eleitoral e pelo processo relativo à trama golpista de 8 de janeiro.
Há um obstáculo jurídico: o Supremo Tribunal Federal já sinalizou que crimes de caráter político não estariam sujeitos a perdão, e uma anistia aprovada pelo Legislativo pode ser objeto de ação no STF. Alcolumbre trabalha com a hipótese de que o texto seja questionado apenas depois de produzir o efeito político desejado.
O movimento tem duas metas centrais: assegurar a reeleição de Alcolumbre e reduzir a pressão sobre ministros do Supremo que enfrentam pedido de impeachment. Com o apoio da bancada do PL, ele espera enfraquecer as candidaturas de Rogério Marinho (PL-RN) e de Tereza Cristina (PP-MS); também procura diminuir a mobilização contra Alexandre de Moraes, a quem diz ser amigo pessoal.
Parlamentares do PL, porém, afirmam que Alcolumbre quebrou pontes com o partido e rejeitam reconciliação; o impeachment de Moraes é pauta prioritária dessa bancada. O PL decidiu lançar candidatura própria e deve oficializar Rogério Marinho na reunião de bancada marcada para 4 de novembro.
A aritmética explica a pressa: a eleição da Mesa do Senado será em fevereiro de 2027, com 81 senadores e voto secreto, e são necessários 41 votos. O PL tem a maior bancada, com 29 senadores, podendo chegar a 34 com posse de suplentes e filiações; Alcolumbre afirma contar com 48 votos. A federação União Progressista (União Brasil e PP) já sinalizou apoio, mas parte dos eleitos por essas siglas ainda não definiu posição.
O movimento tem impacto direto no Paraná e, por consequência, em municípios da região sul do Estado, como União da Vitória e Porto União. Com Sergio Moro (PL) eleito governador, sua vaga no Senado será ocupada pelo suplente Luis Felipe Cunha (PL); casos semelhantes, como o de Cleitinho Azevedo (Republicanos) em Minas, reforçam a bancada pró-Bolsonaro no momento em que se define a presidência da Casa.
O pacote em estudo não prevê punições pelos atos de 8 de janeiro, não revisa condenações e não devolve direitos políticos: libera um preso e mantém a inelegibilidade. Para setores da direita que defendem anistia ampla, a proposta é insuficiente; para o governo, seria uma alternativa sem custo eleitoral imediato.
Não há confirmação oficial do Planalto, do Senado ou do PL sobre negociações ou prazos. A proposta depende de o PL aceitar negociar e de Lula não vetar eventual texto aprovado pelo Congresso; sem esse alinhamento, a anistia dificilmente avançará e Alcolumbre ficaria com o ônus político sem garantir o voto.
Com informações de Blog do Esmael.
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